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Por que o alto padrão segue em alta mesmo com juros elevados

Por que o alto padrão segue em alta mesmo com juros elevados
Autor: Luiza Aparecida Mendes

Com a Selic em um dos patamares mais altos das últimas duas décadas, seria natural esperar que todo o mercado imobiliário brasileiro estivesse em retração. Mas os dados de 2026 mostram um cenário mais complexo — e, para o segmento de alto padrão, surpreendentemente positivo. Enquanto o crédito imobiliário tradicional sente o peso dos juros, compradores de imóveis de luxo seguem ativos, e regiões como a Costa Esmeralda continuam atraindo investimento pesado.

Neste artigo, explicamos por que o alto padrão resiste — e até cresce — em um cenário macroeconômico que penaliza o restante do setor.

Um mercado que opera em dois ritmos

Especialistas do setor descrevem 2026 como um ano de "dois mercados" dentro do imobiliário brasileiro. De um lado, o segmento popular, sustentado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, segue aquecido — em parte porque utiliza o funding do FGTS, normalmente menos sensível às variações da Selic. Do outro, os segmentos de médio e alto padrão sentem diretamente o impacto dos juros altos, já que dependem majoritariamente de financiamento bancário tradicional.

Mas dentro desse segundo grupo, o alto padrão se destaca por um motivo simples: seu comprador é, em grande parte, menos dependente de crédito. Compradores de imóveis de luxo costumam ter maior capacidade de usar recursos próprios ou de absorver taxas de financiamento mais altas — o que os torna menos vulneráveis a ciclos de aperto monetário do que o restante do mercado.

Os números que sustentam a resiliência

Apesar do cenário de juros elevados, analistas projetam crescimento de 16% no volume de crédito imobiliário em 2026 em comparação a 2025. Mesmo no primeiro trimestre de 2025, com a Selic ainda em 15%, os financiamentos de apartamentos cresceram 37,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O índice que reúne as principais construtoras do setor de alto padrão acumulou alta de 73,5% — a segunda maior valorização desde a criação do indicador, em 2008. Empresas como JHFS lideraram esse movimento, com valorização acumulada de 131,5% no período analisado, seguida por Trisul, Cury, Tenda e Cyrela.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) projeta um crescimento de 10% nas vendas imobiliárias em 2026 no país como um todo — mesmo após uma queda de 17% nos financiamentos em 2025, provocada pela Selic a 15%.

Por que o comprador de alto padrão não espera o ciclo de juros baixar

Diferentemente do comprador que depende do financiamento bancário para viabilizar a compra, o público de alto padrão tende a agir de forma anticíclica: compra justamente nos momentos em que a concorrência diminui e as condições de negociação melhoram. Some-se a isso a expectativa de queda gradual da Selic — de 14,75% para possivelmente 12,50% até o fim de 2026 — e um cenário se forma: comprar agora, antes que o alívio nos juros traga de volta a demanda represada e pressione os preços para cima.

Essa dinâmica é reforçada pela própria natureza do mercado de luxo, historicamente visto como reserva de valor. Mesmo em cenários de instabilidade, imóveis de alto padrão bem localizados continuam sendo vistos como um dos ativos mais seguros do país — um "porto seguro" para quem busca proteger patrimônio.

O litoral catarinense como estudo de caso

Poucas regiões ilustram essa resiliência tão bem quanto a Costa Esmeralda. Enquanto lançamentos de médio e alto padrão recuam em praças como São Paulo, cidades como Porto Belo registram recordes sucessivos de VGV, movimentando bilhões em vendas mesmo em meio ao cenário de juros elevados. O comprador que investe na região é, em boa parte, o mesmo perfil menos dependente de crédito bancário tradicional — o que explica por que o litoral catarinense segue aquecido enquanto outros mercados desaceleram.

Além disso, algumas capitais e regiões fora do eixo tradicional São Paulo–Rio de Janeiro têm apresentado valorização mais forte, reflexo da migração interna de investidores em busca de mercados menos saturados e com potencial de valorização ainda maior — exatamente o caso da Costa Esmeralda.

O que esperar daqui para frente

Com o início do ciclo de corte da Selic previsto para avançar ao longo do segundo semestre de 2026, a expectativa do setor é de um alívio gradual nas condições de crédito — o que deve beneficiar principalmente o segmento de médio padrão, ainda mais sensível aos juros. Para o alto padrão, no entanto, o cenário já é favorável hoje: compradores ativos, oferta qualificada e uma janela de entrada ainda atrativa antes que a retomada geral do crédito aqueça ainda mais a demanda.

Para quem pensa em investir em imóveis de alto padrão, o recado do mercado é claro: os juros altos não pararam esse segmento em 2026 — e dificilmente vão parar.


Quer entender quais oportunidades de alto padrão fazem sentido no cenário atual? Fale com a equipe da Spell Negócios Imobiliários.

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