Por décadas, Balneário Camboriú foi sinônimo de mercado imobiliário de luxo em Santa Catarina — a cidade dos arranha-céus, do skyline mais alto do litoral brasileiro e do metro quadrado mais valorizado do país. Mas os números mais recentes contam uma nova história: Porto Belo, sua vizinha mais discreta na Costa Esmeralda, assumiu a liderança nacional em vendas de imóveis novos.
Neste artigo, explicamos os números por trás dessa virada, o que está impulsionando o crescimento de Porto Belo e por que esse movimento reposiciona toda a Costa Esmeralda no mapa do investimento imobiliário brasileiro.
Os números que confirmam a virada
Segundo dados da Inteligência de Mercado da plataforma DWV, Porto Belo fechou 2025 na liderança nacional em Valor Geral de Vendas (VGV) de imóveis novos, superando praças historicamente mais consolidadas como Itapema, Itajaí e a própria Balneário Camboriú. O movimento não parou por aí: no primeiro semestre de 2026, a cidade movimentou R$ 2,5 bilhões em vendas de imóveis novos e lançamentos, com 2.850 unidades comercializadas — resultado que colocou Porto Belo à frente até de Curitiba.
Mais impressionante ainda: em um levantamento de 90 dias divulgado em julho de 2026, Porto Belo apareceu na liderança absoluta do ranking nacional, com 1.099 unidades vendidas, à frente de Itapema (792), Itajaí (656), Curitiba (461), Balneário Camboriú (237) e até de praças turísticas como Gramado (96).
Nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026, a cidade acumulou R$ 11,8 bilhões em VGV — um número monumental para um município de pouco mais de 31 mil habitantes.
Uma cidade que cresceu rápido demais para passar despercebida
Parte da explicação está na própria transformação demográfica de Porto Belo. Em pouco mais de uma década, a população da cidade cresceu mais de 72%, impulsionada por turismo, qualidade de vida e localização estratégica às margens da BR-101, entre Itapema e Bombinhas, com acesso facilitado aos aeroportos de Navegantes e Florianópolis.
Esse crescimento populacional não é apenas consequência da expansão imobiliária — é também uma das causas. Novos moradores atraem novos serviços, e novos serviços atraem novos investidores, em um ciclo que vem se retroalimentando ano após ano.
Um modelo diferente do verticalizado
Enquanto Balneário Camboriú e Itapema construíram sua identidade em torno da verticalização — os arranha-céus que se tornaram símbolo do litoral catarinense —, parte do sucesso de Porto Belo vem de uma proposta distinta. Empreendimentos como o Vivapark Porto Belo, por exemplo, já ultrapassaram R$ 3 bilhões em vendas apostando em um modelo de bairro planejado aberto, com espaços residenciais, comerciais, de lazer e serviços integrados, em vez de concentrar tudo em torres isoladas.
O resultado dessa aposta tem sido expressivo: terrenos unifamiliares no bairro acumulam valorização de mais de 250% em menos de três anos, e os primeiros edifícios da região registram valorização de mais de 246% no mesmo período.
O tíquete médio e o perfil do comprador
Apesar do volume financeiro elevado, o tíquete médio dos imóveis vendidos em Porto Belo no primeiro semestre de 2026 foi de R$ 875,7 mil — um valor que reflete a chegada tanto de compradores de segunda residência quanto de investidores atraídos pelo potencial de valorização ainda em curso. O preço médio do metro quadrado das unidades vendidas ficou em R$ 14.712, já próximo dos patamares das cidades mais valorizadas do litoral, mas ainda com espaço de crescimento em relação a vizinhas mais maduras.
Segundo levantamentos do setor, a migração de investidores de Balneário Camboriú e Itapema — onde o metro quadrado já ultrapassa R$ 15.000 — para Porto Belo tem sido impulsionada justamente pela busca de um perfil de retorno semelhante, mas com ticket de entrada ainda mais competitivo.
Um mercado que amadureceu
O crescimento de Porto Belo também trouxe consigo a chegada de novos players. Entre 2024 e 2026, 47 novas construtoras entraram no mercado local, elevando o total para mais de 203 incorporadoras ativas na cidade. Em 2025, o VGV total dos empreendimentos lançados atingiu R$ 3,8 bilhões — o segundo maior volume de lançamentos de luxo do litoral nacional, atrás apenas de Balneário Camboriú, e quase o dobro do recorde anterior, estabelecido em 2023.
Esse amadurecimento também trouxe a chegada de marcas e serviços de padrão internacional — hotéis boutique, restaurantes autorais e estruturas esportivas de referência —, formando o ecossistema que o comprador de alto padrão espera encontrar antes de investir.
O que isso significa para quem pensa em comprar ou investir
A virada de Porto Belo confirma um movimento de descentralização do mercado de luxo em Santa Catarina, antes concentrado quase exclusivamente em Balneário Camboriú. Para quem acompanha o setor, a cidade representa hoje uma das últimas janelas do litoral catarinense para comprar imóvel de padrão elevado antes que os preços se estabilizem em patamares equivalentes aos das vizinhas mais consolidadas.
Essa janela não é eterna — mas, por enquanto, segue aberta, e é exatamente esse timing que tem atraído tanto famílias em busca de qualidade de vida quanto investidores em busca de valorização patrimonial consistente na Costa Esmeralda.
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