Projeto da Lotisa prevê 114 andares, apartamentos a partir de R$ 10 milhões e engenharia desenvolvida para controlar os efeitos do vento
Uma antiga agência do Bradesco, no Centro de Balneário Camboriú, faz parte do terreno escolhido para uma torre de 406 metros de altura e 114 andares. O projeto é da incorporadora Lotisa, que prepara um residencial de alto luxo com 165 unidades e Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em mais de R$ 2 bilhões.
O edifício ainda não foi lançado, mas parte importante do trabalho já aconteceu longe do canteiro. Testes realizados no Canadá levaram a mudanças no desenho da torre para reduzir os esforços provocados pelo vento, um dos principais desafios de engenharia em construções dessa altura. A apresentação oficial está prevista para dezembro de 2026, e o início das obras, para fevereiro de 2027.
De uma agência bancária a um terreno de 5 mil m²
A negociação começou por uma área onde funcionava uma agência do Bradesco. A Lotisa firmou parceria com a BSP Empreendimentos Imobiliários, braço imobiliário do banco, e adquiriu outros nove terrenos vizinhos para viabilizar a obra. Juntas, as propriedades formam uma área de cerca de 5 mil m² no Centro de Balneário Camboriú, fora da Barra Sul, região conhecida pela concentração de alguns dos edifícios mais altos da cidade.
Em áreas consolidadas, onde os terrenos são divididos em propriedades menores, projetos de grande escala dependem de negociações com vários proprietários antes mesmo de chegar à fase de projeto. Para a Lotisa, fundada em Itajaí há mais de duas décadas, a torre também marca uma mudança de endereço: a incorporadora concentrou boa parte de sua trajetória em Itajaí e na Praia Brava e agora prepara sua entrada no Centro de Balneário Camboriú, com o maior projeto já anunciado em seu portfólio.
Uma mudança no topo reduziu os esforços na fundação
Com 406 metros, a torre exigiu estudos específicos sobre a ação do vento. Em edifícios muito altos, rajadas podem provocar deslocamentos laterais e oscilações perceptíveis nos andares superiores, e o desafio vai além da resistência da estrutura: é preciso manter o conforto de quem vai morar ali.
Para avaliar essas condições, a Lotisa contratou a canadense RWDI, consultoria que participou dos estudos do Burj Khalifa, em Dubai, de 828 metros. Os ensaios em túnel de vento usaram modelos da futura torre e dos edifícios vizinhos, já que as construções do entorno alteram a circulação do ar e as forças sobre a estrutura.
O resultado levou a uma mudança concreta. Segundo informações da incorporadora divulgadas pela Exame, a ampliação de cerca de 18% na abertura da parte superior do edifício reduziu em aproximadamente 30% os esforços de momento transmitidos à fundação. Fábio Inthurn, CEO da Lotisa, resumiu a lógica ao dizer que, em uma torre desse porte, uma decisão no topo pode alterar de forma relevante o comportamento estrutural do conjunto.
Mais de 700 toneladas para reduzir oscilações
O projeto também prevê um amortecedor de massa sintonizada, o TMD, com mais de 700 toneladas, instalado na parte superior. O sistema usa uma grande massa que se movimenta em resposta às oscilações da construção, reduzindo vibrações e melhorando o conforto nos pavimentos mais altos. Ele atuará em conjunto com as soluções aerodinâmicas do desenho.
A engenharia conta ainda com a WSP, empresa internacional que participou de projetos como o One World Trade Center e o Central Park Tower, em Nova York, e o The Shard, em Londres. No edifício de Balneário Camboriú, ela responde pela concepção dos sistemas estruturais, mecânicos, hidráulicos, elétricos e de elevadores.
Segundo a Lotisa, mais de US$ 4 milhões já foram destinados a estudos e projetos técnicos, e as soluções ligadas ao comportamento da torre sob o vento devem representar cerca de 5% do custo total da obra.
O impacto no entorno
Os estudos também avaliaram as condições de vento no nível da rua e o sombreamento causado pela construção. Segundo a incorporadora, as análises não apontaram alterações relevantes na dinâmica de ventos da região, e o impacto do sombreamento foi considerado reduzido.
O planejamento inclui ainda um pavimento de estacionamento público rotativo, com acesso separado das áreas residenciais, para organizar a entrada e a saída de veículos de diferentes usuários. O efeito dessa medida sobre o trânsito dependerá da operação e das condições de circulação do entorno após a implantação.
Apartamentos a partir de R$ 10 milhões
A torre terá 165 residências, incluindo 18 penthouses, todas com quatro suítes, áreas a partir de cerca de 237 m² e preços iniciais estimados em R$ 10 milhões. O VGV projetado supera R$ 2 bilhões.
O patamar acompanha o mercado da cidade: em setembro de 2026, Balneário Camboriú registrou o segundo metro quadrado residencial mais caro entre as 56 localidades acompanhadas pelo Índice FipeZap, com média anunciada de R$ 15.369, atrás apenas de Vitória (ES).
A Lotisa informa ter outros dois projetos planejados para Balneário Camboriú, com lançamentos previstos para 2027 e 2028, além de um banco de terrenos com potencial de VGV superior a R$ 5 bilhões. Se as obras começarem em fevereiro de 2027 e o prazo estimado de seis a sete anos for cumprido, a conclusão acontecerá entre 2033 e 2034.
Quando uma incorporadora reúne dez terrenos no Centro e investe milhões em estudos antes mesmo do lançamento, ela mostra onde enxerga valor para as próximas décadas. Se você quer acompanhar de perto esse movimento e entender como grandes projetos redesenham o mercado de Balneário Camboriú, entre em contato com nossa equipe.